sábado, 4 de junho de 2016



Parente ressalta legado da Petrobras, mas diz que desafios agora são outros

Novo presidente alega que estatal "foi vítima de uma quadrilha organizada"




O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, destacou a importância do ex-presidente Aldemir Bendine para fortalecer a estatal, durante cerimônia de transferência de cargo realizada na manhã desta quinta-feira (2) no Edifício Sede da Companhia. De acordo com ele, a equipe deve agora aperfeiçoar o trabalho de governança conquistado e se guiar exclusivamente pelo retorno econômico e financeiro. "A busca de sua função social não é excludente e nem se opõe a uma atuação da Petrobras com responsabilidade econômica e financeira. Pelo contrário, andam absolutamente juntas, são gêmeas siamesas."
Em coletiva de imprensa, após a cerimônia de posse, ele apontou que a função social da Petrobras é "explorar, encontrar e colocar para produzir campos de petróleo", para indicar depois que a "busca da função social não pode se dar com prejuízo da responsabilidade financeira e econômica".
O ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso também aproveitou para frisar que a Petrobras "foi vítima de uma quadrilha organizada para obter os mais escusos, antiéticos e criminosos objetivos". A "condição de vítima", contudo, apontou, "não pode ser encarada como sinônimo de passividade". 
desafio de assumir a presidência da estatal, para Parente, é um dos maiores de sua vida, junto com a crise do apagão de 2001. Ele recebe a responsabilidade em meio à organização de atos de petroleiros e outros segmentos, contra o que seria um processo de privatização da empresa brasileira. Questionado por jornalistas sobre as críticas, Parente declarou que conhece a resistência das organizações sindicais, e que diálogos serão firmados desde que imbuídos com o mesmo propósito de reconstrução da empresa. "Se eles estiverem com esse espírito, nao teremos nenhum problema em dialogar." 

Image gallery could not load.

Uma das estratégias da Petrobras é seguir com o plano de desinvestimentos, mas Parente não quis detalhar os passos que devem ser adotados daqui para frente. 
Petrobras e pré-sal
Pedro Parente defendeu ainda o projeto de lei que retira a obrigatoriedade da participação da Petrobras no pré-sal, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, o qual apontou como "essencial". Ele defendeu que a lei atual não atende aos interesses da empresa nem do país.
"Com a nossa corrente situação financeira, se essa exigência não for revista, a consequência será retardar sem previsão a exploração plena do potencial do pré-sal. Mas a razão mais relevante tem natureza estrutural: essa obrigação retira a liberdade de escolha da empresa de somente participar na exploração e produção dos campos que atendam o seu melhor interesse", apontou durante a cerimônia.
Parente destacou a trajetória da empresa para conquistar a independência externa brasileira, frisando que hoje o "objetivo é outro". "Não há quem discuta nossa excelência técnica e de seus quadros (...) A descoberta e a produção do pré-sal são o coroamento desses esforços. Mas a Petrobras é hoje uma companhia que não pode se negar a enfrentar com determinação e transparência os problemas que estão a sua frente. A indústria do petróleo passa por transformações produtivas com um mercado global vivendo incertezas."
A cerimônia de transferência de cargo contou com a presença também, na mesa, de Francisco Dornelles, governador do Estado do Rio de Janeiro em exercício, Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, e Hugo Repsol de Jr, que estava como presidente interino e é diretor de Recursos Humanos, SMS e Serviços da Petrobras. A nova presidente do BNDES,  Maria Sílvia Bastos Marques, também compareceu.

Michel Temer restringe uso de aviões da FAB por Dilma Rousseff

Presidente afastada considerou a decisão "grave" e disse que o objetivo é "proibir" que ela viaje

Casa Civil da Presidência da República emitiu parecer que restringe o uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) por parte da presidente afastada Dilma Rousseff somente nos deslocamentos de Brasília até Porto Alegre, onde mora sua família.
De acordo com parecer elaborado pela pasta a pedido do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o transporte aéreo de Dilma deve ser concedido levando em conta que ela está afastada das funções presidenciais e não tem agenda oficial como chefe de governo, nem como chefe de Estado.
Nos últimos dias, Dilma e seus auxiliares ficaram também sem dinheiro para comprar comida para o Palácio da Alvorada. O cartão de suprimento foi cortado pela equipe de Temer no dia 1º. Os recursos garantiam o abastecimento da despensa e custeavam a manutenção do palácio. A Secretaria de Governo argumentou que se tratava de uma interrupção provisória, até receber parecer jurídico sobre os direitos de Dilma. Na noite de sexta-feira, as compras já estavam liberadas.
Voo da FAB
Conforme o documento, a aeronave da FAB deve destinar-se exclusivamente a Dilma e auxiliares imediatos "previamente apontados", entre eles um coordenador de segurança e um aéreo. Os demais integrantes da equipe devem pegar voos comerciais, mas terão despesas pagas pela União, "da mesma forma que ocorre com os demais servidores públicos", informa o parecer. O exame foi feito após consulta do GSI, órgão responsável pela segurança do presidente da República, do vice-presidente e de seus auxiliares.
Michel Temer restringiu uso de aviões da FAB por Dilma Rousseff
Michel Temer restringiu uso de aviões da FAB por Dilma Rousseff
A Casa Civil informou que o parecer será encaminhado também à Secretaria de Administração da Presidência e está embasada em notificação elaborada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em maio, no dia em que os senadores aprovaram o afastamento de Dilma. Pela notificação, a presidente afastada deve manter as prerrogativas do cargo relativas à residência oficial, segurança pessoal, assistência à saúde, transporte aéreo e terrestre, remuneração e equipe a serviço no gabinete pessoal da Presidência.
O parecer da Casa Civil, aprovado na última quarta-feira (1), recomenda pagamento de remuneração integral com base em pressupostos constitucionais que pregam a irredutibilidade do salário. A Casa Civil entende também que a única residência oficial a que Dilma tem direito e,m um período de 180 dias é o Palácio da Alvorada, como já ocorria antes. O parecer detalha que os deslocamentos terrestres devem ser feitos com cinco veículos e uma ambulância, também como era de praxe.
Nesta sexta-feira (3), durante evento em Porto Alegre, a presidente afastada considerou a decisão "grave" e disse que o objetivo é "proibir" que ela viaje.
"Hoje houve uma decisão dessa Casa Civil ilegítima, provisória e interina. Não sei se vocês sabem, mas eu não posso, como qualquer outra pessoa, pegar um avião. Para eu pegar um avião, tem de ter toda uma segurança atrás de mim", disse Dilma. A presidente afastada lembrou que a Constituição garante sua segurança. "É a Constituição que manda. Estamos diante de uma situação que vai ter de ser resolvida. Porque eu vou viajar! Vamos ver como vai ser a minha viagem", afirmou Dilma, que participou, na capital gaúcha, do lançamento do livro A Resistência contra o Golpe em 2016.
Dilma
Dilma participou em Porto Alegre do lançmento de livro que critica o impeachment e atacou o relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG)Daniel Ito Isaia/Agência Brasil
A presidente afastada Dilma Rousseff criticou a decisão do relator da Comissão do Processante do Impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), de não permitir à sua defesa incluir no processo de impeachment as gravações realizadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado com políticos do PMDB. A crítica foi feita hoje,  em Porto Alegre, durante lançamento do livro A Resistência ao Golpe em 2016, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, organizado por movimentos ligados à Frente Brasil Popular.
“[Anastasia] teve uma atitude clara de tentar impedir que nós exerçamos o direito de defesa. Por que isso? Porque eles percebem que, a cada dia, também pelas próprias revelações gravadas dos que articularam o golpe, as dificuldades de legitimar e justificar o golpe são muito fortes”, afirmou Dilma. Ela aproveitou o momento para criticar, também, a gestão de Michel Temer como presidente interino: “Eles estão implantando um projeto de governo ultraliberal e ultraconservador que não foi votado nem sequer em uma reunião de condomínio, quanto mais pela população brasileira”.
A presidente afastada também buscou se defender de informações divulgadas pelo jornal O Globo, de que ela teria utilizado dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras para pagar as contas e as viagens do cabeleireiro Celso Kamura. “O mais interessante é que eles ligam o cabelo à compra da refinaria de Pasadena. Esse caso foi em 2006, e nesse ano eu não conhecia o Celso Kamura. Não passava nem pelo meu sonho que eu seria candidata à presidência da República”, ressaltou Dilma. Ela afirmou, ainda, que conheceu o cabeleireiro durante a campanha eleitoral de 2010 e guardou todos os recibos dos pagamentos a Kamura, tanto das passagens aéreas quanto do serviço profissional.
Após o lançamento do livro, por volta das 18h, a presidenta afastada Dilma Rousseff seguiu para a Esquina Democrática, no centro histórico de Porto Alegre, para participar de um ato público que contou com milhares de pessoas. “Jamais esperei enfrentar um novo golpe. Eu não tenho contas na Suíça, minhas mãos não estão sujas com esse dinheiro [da corrupção]”, afirmou aos presentes. A presidenta afastada conclamou o povo a lutar para “vencer o golpe”.
Após o ato, Dilma foi para a casa de parentes, na zona sul da capital gaúcha, onde deve passar o fim de semana.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Economia

Parente ressalta legado da Petrobras, mas diz que desafios agora são outros

Novo presidente alega que estatal "foi vítima de uma quadrilha organizada"


O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, destacou a importância do ex-presidente Aldemir Bendine para fortalecer a estatal, durante cerimônia de transferência de cargo realizada na manhã desta quinta-feira (2) no Edifício Sede da Companhia. De acordo com ele, a equipe deve agora aperfeiçoar o trabalho de governança conquistado e se guiar exclusivamente pelo retorno econômico e financeiro. "A busca de sua função social não é excludente e nem se opõe a uma atuação da Petrobras com responsabilidade econômica e financeira. Pelo contrário, andam absolutamente juntas, são gêmeas siamesas."
Em coletiva de imprensa, após a cerimônia de posse, ele apontou que a função social da Petrobras é "explorar, encontrar e colocar para produzir campos de petróleo", para indicar depois que a "busca da função social não pode se dar com prejuízo da responsabilidade financeira e econômica".
O ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso também aproveitou para frisar que a Petrobras "foi vítima de uma quadrilha organizada para obter os mais escusos, antiéticos e criminosos objetivos". A "condição de vítima", contudo, apontou, "não pode ser encarada como sinônimo de passividade". 
desafio de assumir a presidência da estatal, para Parente, é um dos maiores de sua vida, junto com a crise do apagão de 2001. Ele recebe a responsabilidade em meio à organização de atos de petroleiros e outros segmentos, contra o que seria um processo de privatização da empresa brasileira. Questionado por jornalistas sobre as críticas, Parente declarou que conhece a resistência das organizações sindicais, e que diálogos serão firmados desde que imbuídos com o mesmo propósito de reconstrução da empresa. "Se eles estiverem com esse espírito, nao teremos nenhum problema em dialogar." 
2 / 6
O presidente do Conselho de Administração, Luiz Nelson Guedes de Carvalho, que ressaltou na solenidade de transferência de cargo que é amigo pessoal de Pedro Parente, frisou que a estatal não deu uma resposta formal ainda aos petroleiros. "Muito me alegra saber que os petroleiros estão preocupados com os prejuízos da Petrobras, se tivessem esse compromisso há mais tempo [teria sido melhor]."
Uma das estratégias da Petrobras é seguir com o plano de desinvestimentos, mas Parente não quis detalhar os passos que devem ser adotados daqui para frente. 
Petrobras e pré-sal
Pedro Parente defendeu ainda o projeto de lei que retira a obrigatoriedade da participação da Petrobras no pré-sal, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, o qual apontou como "essencial". Ele defendeu que a lei atual não atende aos interesses da empresa nem do país.
"Com a nossa corrente situação financeira, se essa exigência não for revista, a consequência será retardar sem previsão a exploração plena do potencial do pré-sal. Mas a razão mais relevante tem natureza estrutural: essa obrigação retira a liberdade de escolha da empresa de somente participar na exploração e produção dos campos que atendam o seu melhor interesse", apontou durante a cerimônia.
Parente destacou a trajetória da empresa para conquistar a independência externa brasileira, frisando que hoje o "objetivo é outro". "Não há quem discuta nossa excelência técnica e de seus quadros (...) A descoberta e a produção do pré-sal são o coroamento desses esforços. Mas a Petrobras é hoje uma companhia que não pode se negar a enfrentar com determinação e transparência os problemas que estão a sua frente. A indústria do petróleo passa por transformações produtivas com um mercado global vivendo incertezas."
A cerimônia de transferência de cargo contou com a presença também, na mesa, de Francisco Dornelles, governador do Estado do Rio de Janeiro em exercício, Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, e Hugo Repsol de Jr, que estava como presidente interino e é diretor de Recursos Humanos, SMS e Serviços da Petrobras. A nova presidente do BNDES,  Maria Sílvia Bastos Marques, também compareceu.