sábado, 26 de outubro de 2019


25/out/2019 - 10:40h

Revista Veja

Marcos Valério cita Lula como um dos mandantes da morte de Celso Daniel
Em depoimento inédito, o operador conta que o ex-presidente deu aval para pagar a chantagista que iria apontá-lo como envolvido no assassinato do prefeito

Por Hugo Marques / VEJA 

25 out 2019, 12h17 - Publicado em 25 out 2019, 07h06
Marcos Valério /  Imagem: VEJA (reportagem)
 ELE VOLTOU – No depoimento, que também foi gravado em vídeo, Valério reproduz o diálogo que teve com Ronan Maria Pinto, em que ele teria dito que apontaria Lula como o “cabeça da morte de Celso Daniel”



Lula - Foto: Ricardo Stuckert / Publicada em Veja



 No fim da década de 90, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza começou a construir uma carreira que transformaria radicalmente sua vida e a de muitos políticos brasileiros nas duas décadas seguintes. Ele aprimorou um método que permitia a governantes desviar recursos públicos para alimentar caixas eleitorais sem deixar rastros muito visíveis. Ao assumir a Presidência da República, em 2003, o PT assumiu a patente do esquema. Propina, pagamentos e recebimentos ilegais, gastos secretos e até despesas pessoais do ex-presidente Lula — tudo passava pela mão e pelo caixa do empresário. Durante anos, o partido subornou parlamentares no Congresso com dinheiro subtraído do Banco do Brasil, o que deu origem ao escândalo que ficou conhecido como mensalão e levou catorze figurões para a cadeia, incluindo o próprio Marcos Valério. Desde então, o empresário é um espectro que, a cada aparição, provoca calafrios nos petistas. Em 2012, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) já o condenara como operador do mensalão, Valério emitiu os primeiros sinais de que estaria disposto a contar segredos que podiam comprometer gente graúda do partido em crimes muito mais graves. Prometia revelar, por exemplo, o suposto envolvimento de Lula com a morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, executado a tiros depois de um misterioso sequestro, em 2002.
Na época, as autoridades desconfiaram que a história era uma manobra diversionista. Mesmo depois, o empresário pouco acrescentou ao que já se sabia sobre o caso. Recentemente, no entanto, Valério resolveu contar tudo o que viu, ouviu e fez durante uma ação deflagrada para blindar Lula e o PT das investigações sobre o assassinato de Celso Daniel. Em um depoimento ao Ministério Público de São Paulo, prestado no Departamento de Investigação de Homicídios de Minas Gerais, a que VEJA teve acesso, o operador do mensalão declarou que Lula e outros petistas graduados foram chantageados por um empresário de Santo André que ameaçava implicá-los na morte de Celso Daniel. Mais: disse ter ouvido desse empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato.





quarta-feira, 19 de junho de 2019


Jornal  O Estado de S.Paulo
17 de junho de 2019 | 16h13
(Imagens por este Blog)

Efeito dominó: quem já caiu no governo Bolsonaro
Seis ministros e chefes de empresas públicas e órgãos ligados à administração federal caíram até agora
Em menos de seis meses de governo, seis chefes de ministérios, empresas públicas e órgãos ligados à administração federal deixaram ou foram demitidos no governo Jair Bolsonaro. Joaquim Levy é o caso mais recente. Após críticas públicas do presidente, ele pediu demissão do comando do BNDES. Relembre os casos:

Gustavo Bebianno, ex-Secretário Geral da Presidência

Acusado de de supostas irregularidades em campanhas eleitorais do PSL, mesmo partido do presidente, Gustavo Bebianno teve sua exoneração publicada no dia 19 de fevereiro no Diário Oficial da União. Coordenador da campanha de Bolsonaro em 2018, ele presidiu a legenda durante as eleições e era o responsável legal por repasses para candidaturas pouco competitivas em Pernambuco, que ficaram conhecidas como candidaturas laranjas. O presidente Bolsonaro pediu investigação do caso.
A crise no governo cresceu quando o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, chamou Bebianno de mentiroso, declaração que foi reafirmada pelo próprio Bolsonaro, que ficou ainda mais irritado e decidido a demiti-lo ao saber que o então chefe da Secretaria-Geral teria mostrado a amigos arquivos de áudio com a voz do presidente ordenando que Bebianno suspendesse uma viagem ao Pará, além de outras conversas.

Ricardo Vélez Rodríguez, ex-ministro da Educação

Vélez enfrentava uma crise que vinha desde a posse de Bolsonaro, com disputa interna entre grupos adversários no MEC, medidas contestadas, recuos e quase 20 exonerações no ministério. Antes da demissão, Bolsonaro chegou a afirmar que o ministério “não estava dando certo” com Vélez.
Em março, surgiram as primeiras informações de uma disputa interna entre o grupo militar, os de perfil técnico e os chamados “olavistas”, seguidores do escritor Olavo de Carvalho, considerado guru dos bolsonaristas.
Vélez demitiu alguns integrantes desse grupo mais ideológico, mas demonstrou sua fraqueza ao ser forçado a mandar embora seus aliados, o então secretário executivo Luiz Antonio Tozi e o militar Ricardo Roquetti.
As disputas se intensificaram depois que o Estado revelou um e-mail no qual o ministro pedia para todas as escolas do País lerem o slogan da campanha de Bolsonaro e filmarem as crianças cantando o Hino Nacional. O Ministério Público Federal pediu explicações.

Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo

O general foi alvo de ataques do escritor Olavo de Carvalho e do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e integrava o núcleo duro do Palácio do Planalto. Foi o primeiro ministro militar a cair. Santos Cruz deixou a equipe sob desgaste, após ser criticado pela rede bolsonarista.
A queda de Santos Cruz representou uma vitória da ala olavista do governo, dos filhos de Bolsonaro e do chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fábio Wajngarten. O general tinha nas mãos a chave do cofre da Secom e era ele quem comandava a liberação dos recursos. Sua posição considerada “linha dura” com a distribuição da verba incomodava tanto os políticos como a equipe econômica.
Joaquim Levy, ex-presidente do BNDES

Caso mais recente. No sábado, 15, Bolsonaro disse estar “por aqui” com o economista e ameaçou demiti-lo caso ele não suspendesse a nomeação de Marcos Barbosa Pinto – que já tinha trabalhado no banco como assessor em 2005 e 2006, no governo PT – para a diretoria de Mercado de Capitais. Após as declarações, Pinto pediu demissão. 
Bolsonaro e alguns de seus aliados mais próximos nunca engoliram a nomeação de Levy. Ele foi secretário de Fazenda no governo de Sérgio Cabral (MDB-RJ) e ministro da Fazenda no primeiro ano do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. Levy é a primeira baixa na equipe econômica.

Franklimberg Ribeiro de Freitas, ex-presidente da Funai

Franklimberg estava há menos de cinco meses no cargo, quando passou a ser alvo de pressão de ruralistas liderados pelo secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura (Mapa), Luiz Antonio Nabhan Garcia. Questionado sobre o assunto, o general disse que a Funai continua a ser alvo de interesses sem nenhuma relação com a causa indígena e que estes, mais uma vez, prevalecem no caminho da autarquia ligada ao Ministério da Justiça (MJ).
Luiz Antonio Nabhan Garcia é amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro. Presidente licenciado da União Democrática Ruralista (UDR), passou a ser o principal articulador das mudanças na demarcação de terras indígenas e licenciamento ambiental envolvendo essas áreas. Ocorre que o governo não conseguiu manter a Funai debaixo de seu controle no Mapa e viu a Funai voltar para o MJ, após derrota no Congresso.
Juarez da Paula Cunha, ex-presidente dos Correios

A demissão de Cunha foi anunciada pelo próprio Bolsonaro na sexta, 14, em café com jornalistas. Ele justificou que o então presidente dos Correios “foi ao Congresso e agiu como sindicalista” ao criticar a eventual privatização da estatal e tirar fotos com parlamentares do PT e do  PSOL. “Aí complica”, disse Bolsonaro.
Bolsonaro informou, ainda, que convidou o general Santos Cruz para ocupar a vaga, mas adiantou que não tem o nome do substituto, demitido da Secretaria de Governo, ministério que cuida, por exemplo, da verba de publicidade do governo. 


sábado, 27 de outubro de 2018



26/10/2018 - 21h26  

Bolsonaro defende que índios recebam royalties pela exploração da terra em que vivem

Por Jornal Nacional e G1
 



"No que depender de mim, vocês serão emancipados. O índio norte-americano vive, em grande parte, dos royalties dos cassinos.
Vocês, aqui, podem viver de royalties não só de minério, mas exploração da biodiversidade, bem como royalties de possíveis hidrelétricas que poderiam ser construídas na terra de vocês, então, vocês são brasileiros como nós e têm todo direito de explorar a terra de vocês", afirmou.
"Eu pretendo que todos vocês sejam felizes. Eu quero que todos vocês tenham os mesmos direitos que nós brasileiros temos. Eu quero que vocês, de fato, tenham direito ao uso da terra de vocês, explorando a sua biodiversidade e suas riquezas minerais. Um abraço a todos irmãos índios no Brasil. Estamos juntos!"


segunda-feira, 24 de setembro de 2018


24/setembro/2018 - 20h15

Bolsonaro diz que facada que recebeu foi 'atentado político'

Candidato do PSL também criticou a Polícia Federal pelo encaminhamento das investigações



O candidato Jair Bolsonaro (PSL) no momento em que sofria o atentado em Juiz de Fora(MG) - Reprodução
   
Folha de S.Paulo - Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta segunda-feira (24), o presidenciável Jair Bolsonaro disse que acredita ter sido vítima de um atentado "planejado" e "político". O candidato recebeu uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora, em Minais Gerais, no começo do mês.
"No meu entender foi planejado, político, não tenho a menor dúvida. Me tirando de combate, você pega os três, quatro próximos da relação [de candidatos] e são muito parecidos", disse Bolsonaro, com a fala entrecortada por momentos de choro.
"Ele deu uma facada e rodou. Para matar mesmo. O cara sabia o que estava fazendo. Por milímetros não atingiu veias que eu não teria como resistir".

Jair Bolsonaro (PSL) durante entrevista no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado -  Reprodução



A Polícia Federal afastou a suspeita de que Adélio Bispo de Oliveira, o agressor, tenha recebido pagamento em sua conta bancária para executar o crime e reforçou a versão de que ele teria atuado sozinho, conforme adiantado pela Folha.
No entanto, Bolsonaro criticou a Polícia Federal pelo encaminhamento das investigações, falando que estão tentando "abafar o caso".
"Ele [Adélio] foi para cumprir a missão. Pelo que ouvi dizer, a polícia civil de Juiz de Fora está bem mais avançada que a PF nas investigações. O depoimento que ouvi do delegado da PF que está tocando o caso é para abafar o caso. Dá a entender que age como defesa do criminoso. Isso não dá para acontecer", completou o presidenciável.
Sobre a punição a Adélio, Bolsonaro disse que "tem que ser o que está na lei". No entanto, disse que "quando for presidente" tornará equivalentes as penas para tentativa de homicídio e homicídio.
"Ele quase me matou. Porque a pena tem que ser diferente do homicídio em si? Vamos mudar isso quando for presidente", completou.
Bolsonaro disse que terá alta até o dia 30 de setembro, mas que não fará campanhas na rua. Ele também afirmou que fará transmissões ao vivo em seu canal no horário eleitoral gratuito assim que estiver em sua casa, no Rio de Janeiro.
"Não posso ir para a rua, peço a compreensão dos amigos. Planejo fazer live todos os dias a partir do dia primeiro. Na última que fiz tinha 275 mil presentes. Eles acreditam na nossa proposta 'a verdade acima de tudo'".


sexta-feira, 7 de setembro de 2018


06/setembro/2018 - 23h25   
Fachin nega pedido de Lula para afastar impedimento à candidatura ao Planalto
Jornal do Brasil
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar um pedido formulado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afastar impedimento à candidatura do petista ao Palácio do Planalto.
 
Ministro Fachin - Foto: Rosinei Coutinho / STF
Com base no comunicado do comitê da ONU, a defesa de Lula pretendia afastar os efeitos da condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá (SP), no qual o ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Por conta dessa condenação, o petista foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
De acordo com os advogados Cristiano Zanin e Valeska Zanin, não cabe aos órgãos judiciários brasileiros sindicar as decisões proferidas pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU, mas, sim, dar cumprimento às obrigações internacionais assumidas pelo Brasil.
Até a publicação deste texto, a íntegra da decisão de Fachin não havia sido divulgada. Na quarta-feira, a expectativa dentro do STF era de que o ministro levasse o tema ao plenário.
Conforme trecho da decisão de Fachin publicado no site oficial do STF, o ministro entendeu que o pronunciamento do Comitê de Direitos Humanos da ONU não alcançou o efeito de suspender a decisão do TRF-4 que condenou Lula.
"O pronunciamento do Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas não alcançou o sobrestamento do acórdão recorrido (do TRF-4), reservando-se à sede própria a temática diretamente afeta à candidatura eleitoral; ii) as alegações veiculadas pela defesa não traduzem plausibilidade de conhecimento e provimento do recurso extraordinário, requisito normativo indispensável à excepcional concessão da tutela cautelar pretendida", decidiu Fachin.
"Indefiro o pedido formulado. Publique-se. Intime-se. Após, arquivem-se", determinou o ministro.
Pendências
Além do pedido negado por Fachin, a defesa de Lula ainda conta com outros dois processos que aguardam definição judicial - um recurso extraordinário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF), que contestam a decisão colegiada do TSE, que, na madrugada do último sábado, negou o registro de Lula por 6 a 1.
Fachin foi o único voto a favor do registro de Lula no TSE, sob a alegação de que a posição do Comitê de Direitos Humanos da ONU afastava a inelegibilidade do petista, abrindo caminho para sua candidatura à Presidência da República.
O comunicado, emitido no dia 17 de agosto, solicitou que o Brasil "tome todas as medidas necessárias para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa desfrutar e exercer seus direitos políticos, enquanto esteja na prisão, como candidato para as eleições presidenciais".


quarta-feira, 1 de agosto de 2018


31 /Julho/ 2018 - 12h20

'Político não pode forçar situação para se tornar candidato sub judice', diz Fux
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral reafirmou entendimento de que a condenação em segunda instância é suficiente para impedir a candidatura, conforme estabelece a Lei da Ficha Limpa

por: Yuri Silva, O Estado de S.Paulo


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou ao Estado na manhã desta terça-feira, 31, em Salvador, que "um político enquadrado na Lei da Ficha Limpa não pode forçar uma situação, se registrando, para se tornar um candidato sub judice". As declarações foram dadas em uma escola da capital baiana, onde o ministro participou de um evento. 
Apesar de não ter citado o ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva, condenado pela Operação Lava Jato e preso em Curitiba (PR), Fux deu a declaração ao ser perguntado se a estratégia do PT, de registrar a candidatura do ex-presidente, causava insegurança jurídica na Justiça Eleitoral.
O ministro fez questão de diferenciar candidatos 'sub judice' de candidatos 'inelegíveis', ao dizer que, no segundo caso, a inelegibilidade ocorreria após uma condenação em segunda instância, conforme estabelece a Lei da Ficha Limpa. Nessa situação, não haveria dúvida jurídica sobre a impossibilidade de a pessoa concorrer nas eleições. Para Fux, "o candidato sub júdice é aquele que tem a sua elegibilidade ainda sujeita à apreciação da Justiça". 
As ideias de Fux encontram eco em declarações de outros ministros do TSE que defendem a rejeição da candidatura do ex-presidente Lula"de ofício" pela Justiça Eleitoral (sem esperar a apresentação de um pedido de impugnação). O também ministro do TSE Admar Gonzaga concorda com essa possibilidade e já afirmou publicamente que o juiz pode rejeitar o registro de ofício com base na legislação vigente. 
Fux já havia afirmado na segunda-feira, 30, também em Salvador, que a condenação em segunda instância é suficiente para impedir a candidatura. Nesta terça, ao comentar a possibilidade de insegurança jurídica no caso Lula, ele reafirmou o entendimento. 
"No nosso modo de ver, o candidato condenado em segunda instancia já é inelegível. É um candidato cuja situação jurídica já está definida. Não pode concorrer um candidato que não pode ser eleito", afirmou o ministro, alegando que "não gostaria de pessoalizar nenhuma questão".
Em nenhum momento, contudo, Fux quis comentar diretamente o caso do ex-presidente Lula nas eleições 2018. O ministro alegou que terá que julgar o caso, o que o impede de falar sobre o assunto. “Eu não gostaria de abordar essa questão, porque, como integrante do Judiciário, posso ter que apreciar (essa pauta). Como membro do Supremo, preciso ter isenção para decidir". 


quinta-feira, 17 de maio de 2018

17/maio/2018 - 10h15



TRF-4 nega último recurso e manda executar pena de José Dirceu
Desembargadores negaram pedido da defesa por unanimidade; Dirceu já poder ser preso em ação em que foi sentenciado a 30 anos e nove meses

 Foto:Jorge William / Agência O Globo



O Globo  
―   Os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negaram por unanimidade, na tarde desta quinta-feira, o último recurso em segunda instância do ex-ministro José Dirceu em um dos processos que o petista responde na Lava-Jato e que envolve a empreiteira Engevix. Com isso, o ex-ministro já pode ser preso.



Ao negar os embargos de declaração da defesa de Dirceu, a corte determinou a imediata comunicação para a execução provisória da pena. O caso do petista agora volta à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sergio Moro que já havia sentenciado Dirceu a 20 anos e dez meses de prisão em junho de 2016. Como Moro está em viagem a Nova York, onde foi receber um prêmio, a juíza federal substituta Gabriela Hardt está na titularidade da vara e pode tomar a decisão.

Dirceu recorreu da decisão de Moro, mas a corte não só manteve a condenação, como também aumentou a pena para 30 anos e 9 meses de prisão por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O criminalista Roberto Podval, defensor de Dirceu, disse que vai recorrer da decisão:
— O julgamento é parte de um processo, temos muito a discutir e acredito que o resultado possa ser modificado - afirmou Podval.

Dirceu já chegou a ficar preso no Paraná entre agosto de 2015 e maio de 2017, quando conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para responder o processo em liberdade desde que monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.

No mesmo processo de Dirceu, o TRF-4 também rejeitou nesta tarde os recursos e mandou executar a pena do ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada e do empresário Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura. O primeiro teve a pena elevada de de 15 anos e 6 meses de prisão para 29 anos e 8 meses. O segundo obteve uma redução de 16 anos e 2 meses para 12 anos e 6 meses.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, empresas terceirizadas contratadas pela Petrobras pagavam uma prestação mensal para Dirceu por meio do lobista Milton Pascowitch, que fechou acordo de delação na Lava-Jato. Os procuradores também afirmam que a Engevix pagava propina por meio de projetos e contratos com a direitoria de Serviços e da celebração de contratos simulados com a empresa de Dirceu, a JD Consultoria. Ao todo, o ex-ministro teria recebido R$ 11 milhões em propinas da Engevix por meio de contratos superfaturados com a Petrobras. Em depoimento a Moro, o ex-ministro negou as acusações.