terça-feira, 30 de maio de 2017

30/maio/2017 às  8h40

"Trajetória do nosso governo não será interrompida", afirma Temer

Presidente diz que país chegará ao final de 2018 com "a casa em ordem"

Nesta terça-feira (30), durante discurso na abertura do Brazil Investment Forum, em São Paulo, o presidente Michel Temer afirmou que a trajetória de seu governo não será "interrompida", e que chegará ao final de 2018 com a "casa em ordem".
"Esta trajetória que traçamos logo no início do nosso governo não será interrompida. Nela nós seguiremos firmes em nome da agenda de reformas que não poderemos abandonar. Estamos no rumo certo, colocamos o país nos trilhos. Quem assumir encontrará os trilhos em seu lugar. Por isso agora é continuar a travessia, chegaremos ao fim de 2018 com a casa em ordem", afirmou.
Temer falou das medidas tomadas pelo seu governo e procurou mostrar otimismo. Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB), também afirmou que Temer vai chegar ao final do seu mandato e entregar o cargo ao seu sucessor com um país muito melhor. "Temer poderia ter se acomodado e deixado passar o tempo tranquilamente, mas não faz apenas um governo de transição, mas ousadamente transformista. Inaugura uma nova geração de reforma”, disse. “O senhor que assumiu há oito meses, entregará ao seu sucessor em 1º de janeiro de 2019 um país muito melhor”.
O prefeito de São Paulo, João Doria, foi o primeiro a discursar, passando também uma mensagem de otimismo. "O Brasil é mais forte do que qualquer crise. Já passamos por inúmeras crises ao longo dos últimos anos. Superamos todas elas, inclusive as mais graves. Não será diferente agora", disse. 


Presidente Temer: "Trajetória do nosso governo não será interrompida"  / Foto: ABR

JBS

Michel Temer enfrenta uma grave crise no governo, após se tornar pública a gravação de sua conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, na qual o presidente ouve relatos sobre a influência do empresários com juízes e procuradores e também sobre a compra de silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha.  A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com um pedido de impeachment. Além disso, na próxima semana o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a julgar a cassação da chapa Dilma-Temer, por supostas irregularidades na campanha.


terça-feira, 28 de março de 2017

26/março/2017 às 17h34

Ciro Gomes diz que, se Moro tentar prendê-lo, receberá 'turma' do juiz 'na bala'

Declaração foi dada no dia que PF cumpriu mandados de busca em SP



 VEJA O VÍDEO DA DECLARAÇÃO DE CIRO GOMES:






= Jornal O Globo =   
Por Leticia Fernandes  em 26/03/2017 17h34 / atualizado 27/03/2017 10h53

 O ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula, Ciro Gomes (PDT) — que também é pré-candidato a presidente para as eleições de 2018 — gravou um vídeo, na última terça-feira, no qual desafia o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a prendê-lo. Gomes afirma que, se isso vier a acontecer, ele receberá a "turma" de Moro "na bala".

As declarações foram dadas em uma entrevista ao jornal GGN no dia em que a Polícia Federal cumpriu, em São Paulo, mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva contra o blogueiro Eduardo Guimarães, que edita o site Blog da Cidadania.

"Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu vou receber a turma dele na bala", diz o pedetista no vídeo que circula na internet e em grupos de WhatsApp.


Na entrevista, Ciro faz ainda uma ressalva: "Se eu não tiver cometido nada errado".

Em outro trecho da entrevista, Ciro critica o coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, pela entrevista coletiva na qual apresentou os fundamentos da denúncia contra o ex-presidente Lula.

"Você pegar um garoto como esse Dallagnol... chamar a imprensa, em tempo real, eu assisti àquilo, o Power Point com aquele negócio todo. O que é isso? E se no futuro, o cidadão por ele acusado dessa forma midiática, exibicionista, espetaculosa, for absolvido? Sabe o que vai acontecer? O estado brasileiro vai ter que indenizar esse cidadão com uma fortuna, e não acontece nada com ele (Dallagnol)", diz.


O ex-ministro faz críticas constantes à atuação de Moro. No ano passado, Ciro chegou a sugerir que, caso o ex-presidente Lula fosse preso no âmbito da Operação Lava-Jato, ele poderia "sequestrar" o petista e levá-lo a uma embaixada com pedido de asilo para que ele possa se defender “de forma plena e isenta”.


— Pensei: se a gente formar um grupo de juristas, a gente pode pegar o Lula e entregar numa embaixada. À luz de uma prisão arbitrária, um ato de solidariedade particular pode ir até esse limite. Proteger uma pessoa de uma ilegalidade é um direito — disse Ciro ao GLOBO na ocasião.

Pré-candidato à Presidência, Ciro aparecia com 0,4% das intenções de voto, em oitavo lugar, enquanto liderava com 16,6% na pesquisa espontânea realizada pelo instituto MDA de fevereiro, feita sob encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A margem de erro da pesquisa era de 2,2 pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%.

O “Blog da Cidadania” tem Guimarães como único colaborador e traz notícias próprias, notícias de outros sites e análises do autor sobre política, com viés de esquerda, publicadas desde 2010. O portal se identifica como integrante do “Movimento dos Sem-Mídia”. Guimarães foi candidato a vereador pelo PCdoB, em São Paulo, em 2016, mas não se elegeu. Na nota divulgada no dia das buscas, a assessoria da Justiça Federal escreveu considerar o blog “veículo de propaganda política”. Mencionou que em seu cadastro no TSE, Guimarães se identificou como comerciante.





O que pode acontecer se o TSE pedir a cassação da chapa Dilma-Temer?
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O processo que pode cassar o presidente Michel Temer devido a supostas ilegalidades na campanha eleitoral está entrando em sua fase final no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a assessoria da corte, o julgamento pode ter início já na próxima semana. Mas quem pode assumir a Presidência em um eventual afastamento do peemedebista do cargo?
Com a queda de Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiria a vaga de presidente temporariamente. Porém, Maia responde por denúncias de que teria recebido vantagens indevidas da empreiteira OAS para defender os interesses da empresa em projetos na Casa. As denúncias constam de um inquérito da PF, que pede ao Ministério Público Federal para investigar Maia pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Carmén Lúcia está na linha sucessória para a Presidência da República, no caso de queda de Temer e impedimento dos presidentes das casas do Legislativo

Maia também é um dos alvos dos 83 inquéritos cuja abertura foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e que fazem parte da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Dessa forma, Maia poderia se tornar réu antes de assumir a Presidência. Nas delações da Odebrecht, ele é conhecido como “Botafogo”.
Caso parecido é o do presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB), que também é citado na “lista de Janot”, e que seria o próximo na linha sucessória para a Presidência da República. Eunício é acusado na operação Sépsis, um desdobramento da Lava-Jato, de receber R$ 5 milhões por meio de contratos fictícios para sua campanha ao governo do Ceará em 2014, além de ter sido citado em outras duas delações. Nas planilhas da Odebrecht, Eunício era chamado de “Índio”.
E se eles se tornarem réus?
Em dezembro de 2016, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da Presidência do Senado. O ministro entendeu que, como o senador tornou-se réu numa ação penal, não poderia ocupar um cargo que o deixasse na linha sucessória da Presidência da República. 
Porém, dias depois, o próprio STF decidiu por manter o senador na Presidência da Casa, ressalvando seu impedimento de substituir Temer no caso de vacância do cargo de presidente da República.
Levando em consideração que Calheiros, mesmo na condição de réu, permaneceu com o cargo devido a uma decisão da Justiça com a condição de ficar fora da linha sucessória, um precedente foi aberto que deve valer para os atuais presidentes da Câmara e do Senado.
Se ambos receberem a mesma punição sofrida por Calheiros durante um possível processo de cassação do presidente Michel Temer, quem assume o cargo de presidente da República é a presidente do STF, Carmén Lúcia.

Esse é o quadro atual da política brasileira. Se Temer cair e os precedentes forem cumpridos no caso de condenação dos presidentes das Casas do Legislativo, o governo do Brasil será assumido pela Presidência do Supremo Tribunal Federal.

quinta-feira, 23 de março de 2017

23/março/2017  às 14h55

 =  GLOBO   (Carolina Brígido) = 

STF nega recurso de Lula e mantém investigações com Moro

Advogados alegaram que o magistrado teria conduzido as apurações de forma indevida

O ex-presidente Lula na cerimônia que o tornaria ministro da Casa Civil
Foto: André Coelho / Agência O Globo


O Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta quinta-feira mais um recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo a interrupção de investigações que tramitam contra ele na 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio Moro. Os advogados alegam que Moro teria conduzido as apurações de forma indevida porque, como havia autoridades com direito ao foro no STF, o caso deveria ter sido enviado para a corte.

No ano passado, o então relator da Lava-Jato no STF, ministro Teori Zavascki, que foi vítima de um acidente aéreo em janeiro deste ano, anulou gravações realizadas depois do período autorizado por Moro. É o caso do diálogo em que a ex-presidente Dilma Rousseff dizia a Lula que estaria enviando por um emissário o termo de posse do petista como ministro da Casa Civil.

Outras gravações com diálogos de Lula com outras autoridades foram enviadas de volta a Moro, para o prosseguimento das investigações. A defesa questionou essa decisão. Queria que todo o material fosse anulado, já que as autoridades teriam de ser investigadas no STF. No plenário, o novo relator da Lava-Jato, Edson Fachin, defendeu a manutenção da decisão do colega. O argumento é de que o alvo das escutas era Lula, que não tem direito a foro, e não os interlocutores gravados.

— A ordem de interceptação não foi dirigida contra alguém que deteria prerrogativa de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal — explicou o ministro Marco Aurélio Mello na sessão.


A decisão foi tomada de forma rápida, sem debate entre os ministros, por unanimidade.

quarta-feira, 22 de março de 2017



21/03/2017  às 15h50

= O Globo = 


‘Há uma tentativa de acabar com a Lava-Jato’, diz Miro Teixeira a Moro

Deputado depôs como testemunha e disse que figurões sairão “ricos, livres, isentos e anistiados”
   
   O deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ) - Gustavo Lima/Câmara dos Deputados/Divulgação


O deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ) - Gustavo Lima/Câmara dos Deputados/Divulgação
Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ) alertou que há uma “grande manipulação para fazer cessar os efeitos da Lava-Jato nos figurões do Brasil”. O deputado há mais tempo na Câmara dos Deputados prestou depoimento nesta terça-feira como testemunha convocada pelo ex-ministro Antonio Palocci. Segundo Miro, aqueles que chamou de “figurões” sairão ricos, livres, isentos e anistiados enquanto seus cúmplices ficarão na cadeia.

— O que se passa aqui em Brasília é uma vergonha absoluta. Há uma tentativa de desqualificar a Lava-Jato, há uma tentativa de acabar com a Lava-Jato. Mas acabar a Lava-Jato para esses que detém foro especial por prerrogativa de função. É uma situação que vai submeter o Brasil ao ridículo internacional. Os empresários que são cúmplices dos políticos, que estão presos, as empresas que estão fechadas, os empregos estão perdidos. E os políticos saem ricos — disse Teixeira.

No fim do depoimento, o próprio juiz Sérgio Moro questionou o deputado sobre a influência da proposta de adotar o sistema de lista fechada nas eleições legislativas. O projeto foi citado pelo deputado anteriormente no seu depoimento como uma das tentativas utilizadas pelos “figurões”.

— Essa questão, embora não seja tão pertinente, essa questão da lista fechada teria alguma coisa a ver com isso? — perguntou Moro.

— Só tem. A lista fechada, que não é nova na discussão, é uma forma de criminalizar a política. Primeiro, surge atribuindo ao financiamento de campanha as dificuldades do nosso setor. Juiz, a corrupção existe porque existe corrupto. O roubo existe porque existe ladrão. A democracia não pode ser responsabilizada. Senão, as ditaduras seriam íntegras. Não há eleições, então não há corrupção? Estão criminalizando a política pelos fatos criminais praticados por políticos. A política não é isso, não é nada disso. Estão roubando para o próprio bolso para construir fortunas enormes botando a culpa no processo eleitoral — respondeu Miro Teixeira, que defendeu a realização de um plebiscito para a realização de uma reforma política.

PALOCCI FICOU “ENCANTADO”

Em seu depoimento, Miro respondeu perguntas do advogado de Antonio Palocci e Branislav Kontic, José Roberto Batochio. Em uma das respostas, Miro Teixeira afirmou que, enquanto era ministro da Fazenda, Palocci era reverenciado pelo setor econômico.

— Por muitas lutas passadas, tínhamos uma identidade. Mas depois que chegou ao poder, Palocci ficou muito encantado pelos direitos da iniciativa privada — afirmou Teixeira.

Palocci é denunciado pelo Ministério Público Federal por favorecer os interesses da empreiteira Odebrecht enquanto Ministro da Fazenda e deputado federal. Segundo Teixeira, todavia, nunca soube de nenhuma irregularidade praticada por Palocci. Miro lembrou de duas ocasiões em que ele e Palocci teriam se aliado. Em um caso, lembrou de um projeto que supostamente favoreceria a marinha mercante e, com a ajuda de Palocci, teria derrubado uma emenda em uma comissão especial na Câmara dos Deputados.

— Nós podemos não ter a notícia exata de que tem uma falcatrua em alguma coisa, mas o cheiro do que se passa nos permite desconfiar. E o Palocci chegou para mim nessa comissão especial e disse: “Tem aqui uma emenda que é para roubar a pátria, nós temos que impedir a aprovação dessa emenda — disse Teixeira.

Segundo o deputado, ele e Palocci passaram a madrugada e venceram a obstrução, impedindo a votação da emenda. Em outro caso, ao falar sobre uma reunião no início do governo Lula, Teixeira falou que ele e Palocci discordaram da estratégia de negociação com outros partidos para a formação de uma maioria parlamentar.

— E o Palocci imediatamente me deu razão: o PSDB pode muitas vezes vir apoiar as ideias sem cobrar participação no governo. Mas o clima que se instalou ali na hora foi de repulsa a nossas ideias — disse.
Segundo o deputado, os dois deixaram a reunião após serem “vencidos hostilmente”.


— Houve quem dissesse na sala que “esse Congresso burguês só atendia a essa linguagem de distribuição de recursos orçamentários”. Não era uma linguagem de interesse do país, de programas — disse.

terça-feira, 21 de março de 2017

21/março/2017  às 12h45 

Lava Jato: PF cumpre 14 mandados, baseados em delações da Odebrecht.
Alvos são pessoas ligas à Renan, Eunício Oliveira, Valdir Rupp e Humberto Costa (PT)
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A Polícia Federal, em conjunto com a Procuradoria-Geral da República, deflagrou nesta terça-feira (21), a Operação Satélites, nova fase da Operação Lava Jato autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 
Estão sendo cumpridos 14 mandados em 13 endereços nas cidades de Brasília, Maceió, RecifeRio de Janeiro e Salvador. O objetivo é investigar indícios dos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. 
Os alvos são pessoas ligadas ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); Valdir Raupp (PMDB-RO) e Humberto Costa (PT-PE). Os parlamentares não são alvo de mandados.
A operação investiga indícios de crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A PGR informou que "não é possível divulgar detalhes sobre os procedimentos porque os termos de depoimentos [das delações] estão em segredo de Justiça".
Esta é a primeira vez em que são utilizadas informações dos acordos de colaboração premiada firmados com executivos e ex-executivos da Odebrecht. Os acordos foram homologados pelo STF em janeiro deste ano. Trata-se da 7ª fase da Operação Lava Jato que apura o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro junto ao STF. Outras três foram realizadas em 2015, duas em 2016 e uma em fevereiro deste ano.
"Trata-se da 7ª fase da Operação Lava Jato que apura o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro junto ao STF. Outras três foram realizadas em 2015, duas em 2016 e uma em fevereiro deste ano", informam a PF e a PGR.
Políticos
Em comunicado sobre a nova fase de investigação, Eunício Oliveira informou que, em 2014, durante o processo eleitoral, autorizou a solicitação de doações, na forma da lei, para a sua campanha ao governo do Ceará. Segundo Eunício, o pedido de abertura de inquéritos no STF, destinados a apurar versões de delatores, “cujo conteúdo desconhece, é o caminho natural do rito processual”.
O senador Humberto Costa informou, também por meio de nota, que a PF já solicitou o arquivamento do inquérito aberto no STF por não encontrar qualquer evidência de irregularidade ao longo de dois anos de investigação. O parlamentar garantiu ainda contribuir com as autoridades em todos os esforços necessários à elucidação dos fatos.
“A ação de hoje vai corroborar a apuração realizada até agora, que aponta para o teor infundado da acusação e da inexistência de qualquer elemento que desabone a sua vida pública”, destaca o comunicado divulgado por Costa. 

terça-feira, 14 de março de 2017

14/março/2017 - 11h15


= O Globo 14/3/2017 =

Lula depõe pela primeira vez como réu em Brasília


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao deixar o prédio da Justiça Federal, em Brasília, onde o petista foi interrogado - André Dusek / Estadão 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou em seu depoimento à 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília a acusação que lhe é feito de ter atuado para impedir a delação premiada de Nestor Cerveró. Ele afirmou nesta terça-feira que vem sofrendo nos últimos três anos "quase que um massacre" pela série de acusações que lhe são dirigidas. É o primeiro depoimento de Lula na condição de réu.

— Há mais ou menos três anos tenho sido vítima de quase que um massacre — disse Lula.
— Estou orgulhoso e prazeroso de estar aqui e contar a versão desse fato. Me ofende profundamente a informação de que o PT é uma organização criminosa — afirmou.

No início do depoimento, Lula demorou para responder qual seria sua renda mensal. Ele relatou receber R$ 6 mil de uma indenização concedida pela comissão de anistia, fazer uma retirada de R$ 30 mil da sua empresa de palestras e contar ainda com a doação dos filhos. Questionado pelo juiz para definir um valor, Lula estimou sua renda em cerca de R$ 50 mil mensais.
Foto: Agência Reuters


Lula afirmou que o ex-senador Delcídio Amaral disse uma inverdade ao envolvê-lo no caso. O ex-presidente disse que Delcidio deve ter ficado incomodado por ter sido chamado de "imbecil" quando o ex-senador apareceu em uma gravação falando de tentativas de interferir em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

— Me parece que não gostou da minha declaração. Não quis ofendê-lo — afirmou.
O ex-presidente disse ter ouvido falar que há um incentivo para que os delatores citem o seu nome.
— Por tudo que ouço na imprensa tem alguém instigando a falar meu nome. É bem possível. Vi entrevista dele na Globonews e parecia que tinha recebido um prêmio Nobel da delação, vi no Roda Viva também. Depois que faz a bobagem que fez, se é que fez, ele teria que jogar no colo de alguém. Minha relação com Delcídio era institucional — afirmou.

'EU NÃO, ELE'

Lula afirmou que Delcídio era quem tinha relação com Cerveró, e não ele. O ex-presidente relatou ainda como seriam os processos de indicação para diretorias da Petrobras destacando que as nomeações eram técnicas e que a decisão final era do Conselho de Administração da Petrobras.

‘Sabe o que é levantar todo dia com a imprensa na porta de casa achando que você vai ser preso?’

Ele foi questionado pelo juiz Ricardo Leite sobre uma declaração sua no passado de que acompanhava tudo que acontecia na Petrobras. O juiz chegou a questionar Lula se ele desejava ver o vídeo em que fazia essa declaração. Lula disse que não era necessário e reiterou como era o processo de escolha dos diretores da estatal.

— O presidente não indica, recomenda ao Conselho a indicação de tal pessoa recomendada por tal partido político a partir da capacidade técnica. Era assim que funcionava no governo anterior, no governo militar e deve funcionar hoje — afirmou.

INSTITUTO  LULA



Lula afirmou que não existia burocracia no Instituto Lula e que realizava reuniões tanto relativas ao trabalho da instituição quanto para debater política.

— Deveria ter alugado uma sede do lado e quando discutisse uma coisa ia numa cadeira e outra em outra cadeira. É uma burocracia. Eu sou o mesmo ser humano — afirmou.

O ex-presidente brincou que havia até um apelido para o instituto com base na diversidade de assuntos que eram tratados lá, provocando risos na sala.
‘Me parece que ele (Delcídio) não gostou da minha declaração de ter chamado de imbecil. Não quis ofendê-lo’

— Sabe qual era o apelido do instituto? Posto Ipiranga. Lamentavelmente era assim. Não era por causa do Instituto, era do personagem. Tem problema em tal lugar? Vai no posto Ipiranga. Tenho orgulho disso — disse.

Lula fez ainda um desabafo reclamando das acusações a que tem respondido.
— Sabe o que é levantar todo dia com a imprensa na porta de casa achando que você vai ser preso? — questionou.

LAVA-JATO ‘ QUE VÁ FUNDO’

O ex-presidente afirmou que deseja que a Lava-Jato "vá fundo", mas sem vazamentos.

— Tem gente que acha que sou contra a Lava-Jato, mas pelo contrário, quero que vá fundo para ver se acaba com a corrupção. Sou contra querer fazer pela imprensa e não pelos autos — disse.

Lula reclamou por diversas vezes da imprensa e afirmou que vai "matar de raiva" a imprensa porque continuará aparecendo na liderança das pesquisas. Afirmou que vai fazer uma defesa da sua honra.

— Um cidadão que nasce no Nordeste e não morre de fome aos cinco anos não tem medo de cara feia. Quero defender minha honra, que é o valor mais importante que eu tenho — afirmou.

Lula fez ainda reclamações sobre a postura de integrantes da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.
— Estou cansado de ver procurador não precisa prova, tem convicção, juiz dizer não preciso prova, tenho fé — afirmou.
— Juiz, promotor e delegado não tem que ficar fazendo pirotecnia. Investiga, denuncia e condena, não é tirando fotografia, inventando mentira e ilações — disse.

O ex-presidente contou ainda que em uma audiência de um processo que move contra uma jornalista um juiz riu quando sua advogada se referia a ele como doutor mesmo a sua defensora afirmando que usava o título devido às condecorações de "doutor honoris causas" recebidas por ele.

— O juiz deu gargalhada e pouco depois inocentou a jornalista. Vou recorrer até à Suprema Corte. Tenho fé em Deus. Em nome da liberdade de imprensa ninguém pode avacalhar — afirmou.

Ao longo do depoimento Lula fez ainda uma defesa de seu governo e do PT. Afirmou que quando o partido é acusado de ser uma organização criminosa os deputados e vereadores deveriam acionar a Justiça para exigir provas.

BOM HUMOR

Lula fez ainda algumas brincadeiras, mostrando descontração. Antes do início do depoimento brincou com o juiz que o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) roubou uma cadeira para conseguir ficar dentro da restrita sala de audiência. Já durante a sua fala disse que recorria à Bíblia diante da quantidade de pessoas que usavam seu nome "em vão". Quando a defesa de José Carlos Bumlai questionou se uma ligação do pecuarista para Lula em 2015 seria para cumprimentar sua mulher Marisa pelo aniversário, o ex-presidente não se conteve:

— Ele ia nos aniversários. No dia 7 de abril tem ligação. É o mínimo que eu esperava dele, que ligasse pra ela no aniversário.
Do lado de fora um grupo de cerca de 50 manifestantes acompanhou a entrada e a saída do ex-presidente aos gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro".