quarta-feira, 9 de março de 2016

o9/03 às 9:43 - Atualizado 9:56 

Lula pode assumir cargo de ministro do governo Dilma Rousseff

Jornal do Brasil
Está se articulando no Palácio do Planalto um movimento que defende que o ex-presidente Lula se torne ministro das Relações Exteriores do governo Dilma Rousseff. A medida teria dois principais objetivos: dar mais governabilidade a Dilma, já que Lula possui mais capacidade de negociação, e dar foro privilegiado a Lula, evitando que ele possa ser preso no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.
Contudo, fontes afirmam que Lula não estaria inclinado a aceitar o convite. Na noite de terça-feira, Lula e Dilma se reuniram no Palácio do Planalto, juntamento com os ministros Jacques Wagner e Ricardo Berzoini e o governador mineiro Fernando Pimentel.Eles teriam defendido a ideia de Lula aceitar a nomeação.
Após a operação da PF, Dilma foi a São Paulo dar apoio a Lula
Após a operação da PF, Dilma foi a São Paulo dar apoio a Lula
Na sexta-feira (4), Lula foi o principal alvo da 24ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal. Depois do depoimento, Dilma demostrou inconformidade e classificou de desnecessária a medida. No sábado (5), ela se encontrou com Lula em São Bernardo do Campo para se solidarizar com ele.
A condução coercitiva de Lula foi alvo de críticas de juristas e políticos. Diversas manifestações, em vários pontos do país, defenderam o ex-presidente.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Nota de esclarecimento da força-tarefa Lava Jato do MPF em Curitiba sobre a natureza e circunstâncias da condução coercitiva do senhor Luiz Inácio Lula da Silva 

Após a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato na última sexta-feira, 4 de março de 2016, instalou-se falsa controvérsia sobre a natureza e circunstâncias da condução coercitiva do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, motivo pelo qual a força-tarefa da Procuradoria da República em Curitiba vem esclarecer:
1. Houve, no âmbito das 24 fases da operação Lava Jato (desde, portanto, março de 2014), cerca de 117 mandados de condução coercitiva determinados pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. 
2. Apenas nesta última fase e em relação a apenas uma das conduções coercitivas determinadas, a do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, houve a manifestação de algumas opiniões contrárias à legalidade e constitucionalidade dessa medida, bem como de sua conveniência e oportunidade. 
3. Considerando que em outros 116 mandados de condução coercitiva não houve tal clamor, conclui-se que esses críticos insurgem-se não contra o instituto da condução coercitiva em si, mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República. 
4. Assim, apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato. 
5. No que tange à suposta crítica doutrinária, o instituto da condução coercitiva baseia-se na lei processual penal (cf. Código de Processo Penal, arts. 218, 201, 260 e 278 respectivamente e especialmente o poder geral de cautela do magistrado) e sua prática tem sido endossada pelos tribunais pátrios. 
6. Nesse sentido, a própria Suprema Corte brasileira já reconheceu a regularidade da condução coercitiva em investigações policiais (HC 107644) e tem entendido que é obrigatório o comparecimento de testemunhas e investigados perante Comissões Parlamentares de Inquérito, uma vez garantido o seu direito ao silêncio (HC 96.981). 
7. Trata-se de medida cautelar muito menos gravosa que a prisão temporária e visa atender diversas finalidades úteis para a investigação, como garantir a segurança do investigado e da sociedade, evitar a dissipação de provas ou o tumulto na sua colheita, além de propiciar uma oportunidade segura para um possível depoimento, dentre outras. 
8. Superadas essas questões, há que se afirmar a necessidade e conveniência da medida. 
9. É notório que, desde o início deste ano, houve incremento na polarização política que vive o país, com indicativos de que grupos organizados, com tendências políticas diversas, articulavam manifestações em favor de seu viés ideológico, especialmente se alguma medida jurídica fosse tomada contra o senhor Luiz Inácio Lula da Silva
10. Esse fato tornou-se evidente durante o episódio da intimação do senhor Luiz Inácio Lula da Silva para ser ouvido pelo Ministério Público de São Paulo em investigação sobre desvios ocorridos na Bancoop. 
11. Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer. 
12. Nesse mesmo HC, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva informa que o agendamento da oitiva do ex-presidente poderia gerar um "grande risco de manifestações e confrontos". 
13. Assim, para a segurança pública, para a segurança das próprias equipes de agentes públicos e, especialmente, para a segurança do próprio senhor Luiz Inácio Lula da Silva, além da necessidade de serem realizadas as oitivas simultaneamente, a fim de evitar a coordenação de versões, é que foi determinada sua condução coercitiva. 
14. Nesse sentir, apesar de lamentarmos os incidentes ocorridos, poucos, felizmente, mas que, por si só, confirmam a necessidade da cautela, há que se consignar o sucesso da 24ª fase, não só pela quantidade de documentos apreendidos, mas também por, em menos de cinco horas, realizar com a segurança possível todos os seus objetivos. 
15. Por fim, tal discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados.  

16. É preciso, isto sim, que sejam investigados os fatos indicativos de enriquecimento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, por despesas pessoais e vantagens patrimoniais de grande vulto pagas pelas mesmas empreiteiras que foram beneficiadas com o esquema de formação de cartel e corrupção na Petrobras, durante os governos presididos por ele e por seu partido, conforme provas exaustivamente indicadas na representação do Ministério Público Federal. 

domingo, 6 de março de 2016


MPF: discussão sobre condução coercitiva é 'cortina de fumaça' sobre fatos investigados


O Ministério Público Federal no Paraná divulgou nota na noite de sábado (5) a respeito do mandado de condução coercitiva dirigido ao ex-presidente Lula, na última sexta-fera (5). O MP reforçou que "a própria Suprema Corte brasileira já reconheceu a regularidade da condução coercitiva" e que ela "visa atender diversas finalidades úteis para a investigação, como garantir a segurança do investigado e da sociedade".
O MP afirma ainda que Lula teria se recusado a comparecer em outra intimação. "Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer." 

MPF diz que polêmica sobre condução coercitiva de Lula é 'cortina de fumaça'
MPF diz que polêmica sobre condução coercitiva de Lula é 'cortina de fumaça'
E por fim, o Ministério Público critica a polêmica em torno da condução coercitiva: "Tal discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados."
Veja a nota:
Nota de esclarecimento da força-tarefa Lava Jato do MPF em Curitiba 
Após a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato na última sexta-feira, 4 de março de 2016, instalou-se falsa controvérsia sobre a natureza e circunstâncias da condução coercitiva do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, motivo pelo qual a força-tarefa da Procuradoria da República em Curitiba vem esclarecer:
1. Houve, no âmbito das 24 fases da operação Lava Jato (desde, portanto, março de 2014), cerca de 117 mandados de condução coercitiva determinados pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. 
2. Apenas nesta última fase e em relação a apenas uma das conduções coercitivas determinadas, a do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, houve a manifestação de algumas opiniões contrárias à legalidade e constitucionalidade dessa medida, bem como de sua conveniência e oportunidade. 
3. Considerando que em outros 116 mandados de condução coercitiva não houve tal clamor, conclui-se que esses críticos insurgem-se não contra o instituto da condução coercitiva em si, mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República. 
4. Assim, apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato. 
5. No que tange à suposta crítica doutrinária, o instituto da condução coercitiva baseia-se na lei processual penal (cf. Código de Processo Penal, arts. 218, 201, 260 e 278 respectivamente e especialmente o poder geral de cautela do magistrado) e sua prática tem sido endossada pelos tribunais pátrios. 
6. Nesse sentido, a própria Suprema Corte brasileira já reconheceu a regularidade da condução coercitiva em investigações policiais (HC 107644) e tem entendido que é obrigatório o comparecimento de testemunhas e investigados perante Comissões Parlamentares de Inquérito, uma vez garantido o seu direito ao silêncio (HC 96.981). 
7. Trata-se de medida cautelar muito menos gravosa que a prisão temporária e visa atender diversas finalidades úteis para a investigação, como garantir a segurança do investigado e da sociedade, evitar a dissipação de provas ou o tumulto na sua colheita, além de propiciar uma oportunidade segura para um possível depoimento, dentre outras. 
8. Superadas essas questões, há que se afirmar a necessidade e conveniência da medida. 
9. É notório que, desde o início deste ano, houve incremento na polarização política que vive o país, com indicativos de que grupos organizados, com tendências políticas diversas, articulavam manifestações em favor de seu viés ideológico, especialmente se alguma medida jurídica fosse tomada contra o senhor Luiz Inácio Lula da Silva. 
10. Esse fato tornou-se evidente durante o episódio da intimação do senhor Luiz Inácio Lula da Silva para ser ouvido pelo Ministério Público de São Paulo em investigação sobre desvios ocorridos na Bancoop. 
11. Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer. 
12. Nesse mesmo HC, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva informa que o agendamento da oitiva do ex-presidente poderia gerar um "grande risco de manifestações e confrontos". 
13. Assim, para a segurança pública, para a segurança das próprias equipes de agentes públicos e, especialmente, para a segurança do próprio senhor Luiz Inácio Lula da Silva, além da necessidade de serem realizadas as oitivas simultaneamente, a fim de evitar a coordenação de versões, é que foi determinada sua condução coercitiva. 
14. Nesse sentir, apesar de lamentarmos os incidentes ocorridos, poucos, felizmente, mas que, por si só, confirmam a necessidade da cautela, há que se consignar o sucesso da 24ª fase, não só pela quantidade de documentos apreendidos, mas também por, em menos de cinco horas, realizar com a segurança possível todos os seus objetivos. 
15. Por fim, tal discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados.  
16. É preciso, isto sim, que sejam investigados os fatos indicativos de enriquecimento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, por despesas pessoais e vantagens patrimoniais de grande vulto pagas pelas mesmas empreiteiras que foram beneficiadas com o esquema de formação de cartel e corrupção na Petrobras, durante os governos presididos por ele e por seu partido, conforme provas exaustivamente indicadas na representação do Ministério Público Federal. 

sexta-feira, 4 de março de 2016


Lula: "Quiseram matar a jararaca, mas bateram no rabo. Vamos para a rua!"

O ex-presidente Lula deu uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (4), no Diretório do PT em São Paulo, após ter prestado depoimento durante a 24ª fase da Operação Lava Jato.
Emocionado, Lula desabafou: "Não precisava ter mandado coerção na minha casa hoje de manhã, na casa dos meus filhos. Mas lamentavelmente eles preferiram utilizar a prepotência, a arrogância, e fizeram um show, um espetáculo de pirotecnia. É lamentável que uma parcela do Ministério Público esteja trabalhando em associação com a imprensa", disse Lula. O ex-presidente alertou que, se com a Operação Lava Jato "quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. Vamos para a rua!", sendo em seguida muito aplaudido pelos militantes presentes.
"Me senti prisioneiro hoje de manhã. Já passei por muitas coisas na minha vida, mas eu acho que nosso país não pode continuar assim, amedrontado", disse Lula
"Me senti prisioneiro hoje de manhã. Já passei por muitas coisas na minha vida, mas eu acho que nosso país não pode continuar assim, amedrontado", disse Lula
"Me senti prisioneiro hoje de manhã. Já passei por muitas coisas na minha vida, mas eu acho que nosso país não pode continuar assim, amedrontado, com qualquer juiz que puna alguém recebendo prêmio da Rede Globo, da revista Veja. Minha indignação é pelo fato de às seis da manhã, delegados muito gentis, por sinal, baterem na minha porta informando que estavam cumprindo uma decisão do juiz Sergio Moro. Poderiam muito bem ter me convocado para prestar depoimento em Curitiba e eu iria, sem nenhum problema", criticou. "Antes deles já éramos democratas", disse Lula, sobre os investigadores da Lava Jato.

Ao falar de Marisa, declarou: "Ela merecia respeito". "Eu sou um homem que acredito em instituições de Estado forte. Estado forte é a garantia do estado democrático. E desde a Constituinte briguei para ter um Ministério Público forte. Mas é importante que os procuradores saibam que uma instituição forte tem que ter pessoas responsáveis", destacou Lula. Para ele, "o que aconteceu hoje era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça".
O ex-presidente, que já havia se manifestado mais cedo aos filiados do Partido dos Trabalhadores, disse que uma parcela da Justiça se subordinou a alguns veículos de comunicação e deixou de lado o princípio de primeiro investigar para depois julgar. 
"É lamentável que uma parcela do poder judiciário brasileiro esteja trabalhando com a imprensa. Antigamente se investigava, hoje a primeira coisa que se faz é determinar quem é o criminoso, colocar a cara dele na imprensa e depois criar os crimes que ele cometeu", argumentou Lula, acrescentando que não está indignado com jornalistas, mas com alguns meios de comunicação que antecipam julgamentos.
Lula voltou a afirmar que há um ato de parcela da mídia, da justiça e da oposição para que o país fique parado por mais um ano e impeça a presidente Dilma Rousseff de governar. "Se tem alguém nesse país que precisa de autonomia, esse alguém se chama presidente da Republica, porque ninguém quer que essa mulher governe o pais".

 O ex-presidente antecipou a campanha presidencial de 2018 ao dizer que vai "rodar o País". E fez duras críticas à Globo e às denúncias diárias realizadas pela imprensa sobre o apartamento no Guarujá e o sítio em Atibaia. "Se preocupando com pedalinho que ela [Marisa] comprou por 2 mil reais para os netos? Se pudesse eu dava um iate para ela", afirmou.
"Eu quero saber quem vai me dar o apartamento, se é a Globo ou o Ministério Público", provocou o ex-presidente, acrescentando que a Globo bem que poderia lhe oferecer um triplex em Paraty (RJ). "Estou indignado com o que fizeram com a minha família", disse. "Eu acho que eu merecia um pouco mais de respeito nesse país". 

Lava Jato: MP diz haver indícios significativos de favorecimentos a Lula

A 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira (4), investiga a relação do ex-presidente Lula e seus familiares com empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. De acordo com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, há indícios de que Lula teria recebido vantagens indevidas, via doações ao Instituto Lula e pagamentos à empresa LILS, através da qual Lula fazia palestras. A operação cumpre 44 mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva autorizados pela Justiça Federal.
"Hoje estamos analisando evidências de que o Lula e sua família receberam vantagens para eventual consecução de atos no governo. Ainda é uma hipótese que está sendo investigada, há evidências de pagamento de vantagens sem explicação plausível. Sessenta porcento deste pagamento teria sido feito pelas cinco maiores empreiteiras que estão envolvidas na Operação Lava Jato, e quarenta e sete porcento dos pagamentos por palestras também teriam sido feitas pelas empreiteiras. A OAS e a Odebrecht também pagaram obras no sítio que acreditamos ser de Lula. Também houve pagamento de benfeitorias em triplex do Guarujá. Outros dados de beneficiamento a familiares estão sendo investigados", disse o procurador. As cinco empreiteiras seriam a Camargo Correia, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, a UTC e a OAS. Segundo o procurador, R$ 30 milhões foram pagos pelas empreiteiras, sendo R$ 20 milhões em doações e R$ 10 milhões por palestras. 
O Ministério Público e a Polícia Federal investigam ainda o pagamento de serviços, pelo Instituto Lula, que tem benefícios fiscais, à empresa G4, pertencente ao filho de Lula. De acordo com Lima, o instituto repassou mais de R$ 1 milhão para empresa por supostos serviços prestados. A polícia investiga se esses serviços foram realizados.
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Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima diz haver indícios de vantagens a Lula
Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima diz haver indícios de vantagens a Lula
O representante da Receita Federal, Roberto Lima, também participou da coletiva. Ele destacou a relação entre o Instituto Lula e a empresa LILS. "A questão principal da Receita foi o relacionamento entre as empresas. A entrada de recursos da LILS  e a saída de recurso do Instituto Lula. Existiria uma confusão operacional e financeira entre as duas entidades, ainda a se confirmar", afirmou, acrescentando: "Ambas receberam recursos expressivos vindos de mais de duas dezenas de empresas e empreiteiras, pagando palestras e fazendo doações. As cinco maiores empresas que pagaram palestras entre 2011 e 2014 são as mesmas que doaram maiores valores ao Instituto Lula."
Operação
Mandados judiciais foram cumpridos na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), e na sede do Instituto Lula, na capital paulista. Lula foi conduzido para prestar depoimento na sala da PF no Aeroporto de Congonhas. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Fernando Bittar, um dos donos de um sítio em Atibaia, no interior paulista, frequentado pelo ex-presidente. A propriedade está registrada também em nome de Jonas Suassuna.
Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) justificou o cumprimento dos mandados judiciais apontando a necessidade de “aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras”. Segundo os procuradores da força-tarefa que investiga o esquema, “pagamentos dissimulados foram feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pessoas associadas” ao petista.
“Há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora”, afirmam os procuradores na nota, sustentando que, ao longo das 23 fases anteriores da Lava Jato, “avolumaram-se evidências muito consistentes de que o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras beneficiava empresas, que enriqueciam às custas dos cofres da estatal; funcionários da Petrobras, que vendiam favores; lavadores de dinheiro profissional que providenciavam a entrega da propina; políticos e partidos políticos que proviam sustentação aos funcionários da Petrobras e, em troca, recebiam a maior parte da propina, que os enriquecia e financiava campanhas”.
São apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato. A polícia apura se os repasses foram realmente como doações e pagamento de palestras. A operação desta sexta-feira envolve cerca de 200 policiais federais, 30 auditores da Receita Federal e policiais militares de três estados. A ação acontece simultaneamente nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador (BA), São Paulo, São Bernardo do Campo (SP), Guarujá (SP), Diadema (SP); Santo André (SP); Manduri (SP) e Atibaia (SP).

quinta-feira, 3 de março de 2016


Delação de Delcídio do Amaral compromete Lula e Dilma, diz revista

Em delação premiada negociada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador Delcídio do Amaral (PT) teria descrito a ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema de corrupção. De acordo com o senador, Dilma teria  usado seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato. As informações são da revista IstoÉ. A delação ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
A revista ressalta que, nos próximos dias, o ministro Teori Zavascki decidirá se homologa ou não a delação. "O acordo só não foi sacramentado até agora por conta de uma cláusula de confidencialidade de seis meses exigida por Delcídio. Apesar de avalizada por procuradores da Lava Jato, a condição imposta pelo petista não foi aceita por Zavascki, que devolveu o processo à Procuradoria-Geral da República e concedeu um prazo até a próxima semana para exclusão da exigência", diz a IstoÉ. Segundo a reportagem, para o senador, os seis meses eram o tempo necessário para ele conseguir escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética do Senado. 
De acordo com a IstoÉ, Delcídio teria afirmado que o ex-presidente Lula tinha "pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações - inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas."
IstoÉ destaca que o relato de Delcídio é "devastador", pois "trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões" (...) "como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele." 
Revista afirma que Delcídio do Amaral fez revelações sobre o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff
Revista afirma que Delcídio do Amaral fez revelações sobre o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff
Ainda segundo a revista, Delcídio teria afirmado que Dilma tentou por três ocasiões interferir na Lava Jato, com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação, segundo a IstoÉ
A reportagem afirma que, diante do fracasso das duas manobras anteriores, uma das quais a famosa reunião em Portugal com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, “a solução” passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ. “Tal nomeação seria relevante para o governo”, pois o nomeado cuidaria dos “habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”. Na semana da definição da estratégia, Delcídio contou que esteve com Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada. 
A revista afirma que Delcídio e Dilma conversavam enquanto caminhavam pelos jardins do Alvorada, quando Dilma solicitou que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez.    
Ainda segundo a reportagem, Delcídio afirmou que o mandante dos pagamentos à família Cerveró foi o ex-presidente Lula. Segundo o senador, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, porque ele estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró.   

quarta-feira, 2 de março de 2016


Lula parte para o confronto com a Lava-Jato

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Foto: Dida Sampaio/Estadão

  
Vera Magalhães, Veja
Lula resolveu mostrar o que quis dizer quando avisou, na festa de aniversário do PT, que acabou a fase Lulinha Paz e Amor. O ex-presidente lançou uma ofensiva jurídica em várias frentes para evitar o depoimento que teria de prestar sobre a propriedade do tríplex no Guarujá. Também quer sustar qualquer investigação da Lava Jato sobre supostos benefícios que tenha recebido de investigadas no petrolão enquanto ainda estava na presidência. As petições de Lula adotaram o tom palanqueiro que o ex-presidente tem usado para posar de vítima de perseguição.
Em documento enviado ao STF, a defesa de Lula classificou de descabida e censurável a afirmação do Ministério Público de que há indícios de que Lula recebeu vantagens indevidas no cargo.
Os advogados dizem, ainda, que só as ditaduras políticas ou midiáticas gostam de eleger acusadores a seu bel prazer. O que Lula não explica são as evidências cada vez maiores de que é dono do sítio em Atibaia, por exemplo. Do nome dos netos na capa dos pedalinhos à informação de que os adoráveis cisnes foram comprados por um funcionário da presidência designado para servi-lo, elas se multiplicam.
(foto: Dida Sampaio/Estadão)